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Informativo
 
Número de famílias endividadas em São Paulo é o menor para mês de maio desde 2004
 
Pesquisa da Fecomercio indica que consumidor está mais consciente e, agora, consegue se planejar para pagar as dívidas sem reduzir o nível de consumo

São Paulo, 19 de maio de 2010 – O número de famílias paulistanas endividas, em maio, foi o menor registrado para o mês desde 2004, quando a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) passou a produzir a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). O levantamento constata que 44,4% das famílias do município de São Paulo estão endividadas e 14% das famílias possuem contas em atraso. A inadimplência atinge a 5% das famílias do município. Em comparação com abril, o nível de endividamento caiu 1,2 ponto porcentual e, em relação a maio de 2009, a queda foi de oito pontos porcentuais.

Em números absolutos, o levantamento constatou que 1,59 milhão de famílias estão endividadas. As famílias com contas em atraso somam 503 mil e 165 mil famílias declararam não ter condições de quitar os débitos parcial ou totalmente este mês.

Segundo Adelaide Reis, assessora econômica da Fecomercio, a redução na porcentagem da população endividada representa que, só na cidade de São Paulo, mais de 43 mil famílias conseguiram pagar suas dívidas. “Os bons resultados observados na pesquisa decorrem, principalmente, do constante aumento do nível de empregos”, aponta Adelaide. “Ao mesmo tempo, a elevação da massa real de salários tem permitido às famílias consumir mais, com aumento do montante de seu endividamento, além de permitir a quitação dos débitos”.

A economista da Fecomercio destaca como fatores determinantes para a retração do total de famílias com contas em atraso e para a queda da inadimplência em maio, a expansão da oferta de crédito, com taxas de juros menores e prazos mais dilatados.  “É importante ressaltar que os juros situam-se nos menores patamares históricos, enquanto que o consumidor mantém elevada confiança no desempenho da economia e alta intenção de consumo”, comenta.

Perfil da dívida

A maior parte das dívidas assumidas pelos consumidores, em maio, continua sendo feita por meio do cartão de crédito. Esta forma de financiamento é responsável por 68% do endividamento dos paulistas.  Em seguida, aparecem os carnês (29%), o crédito pessoal (14%) e cheque especial (8%).

A PEIC também mostra que do total de famílias endividadas, 46% têm pagamentos atrasados há mais de 90 dias e 25% estão com as contas atrasadas há até 30 dias. Em média, os consumidores paulistas atrasam o pagamento de suas contas em 63 dias.

No que diz respeito à parcela de renda comprometida com o pagamento de dívidas, 55% das famílias endividadas vincularam entre 11% e 50% de sua renda, 24% delas compromissaram até 10% da renda. Têm mais de 50% da renda comprometida com o pagamento de dívidas 16% das famílias endividadas.

Em comparação com o mês de abril, houve redução no total de famílias com  contas atrasadas há mais de 90 dias e, também, na proporção da população que tem mais de 50% da sua renda comprometida com o pagamento de contas. “Esses números apontam uma reestruturação do perfil da dívida no Estado de São Paulo”, diz Adelaide. “Os consumidores estão se planejando melhor.”

A economista ainda esclarece que os paulistanos não têm deixado de consumir para pagar suas contas. “Pelo contrário, a Intenção de Consumo das Famílias da Fecomercio (ICF) mostra que os paulistanos estão dispostos a aumentar a intensidade do consumo”, informa. “Somados todos os fatores, podemos esperar um aquecimento das vendas do comércio nos próximos meses.”

Nota Metodológica

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela Fecomercio desde fevereiro de 2004. Os dados são coletados junto a cerca de 1.360 consumidores no município de São Paulo. O objetivo da PEIC é diagnosticar o nível de endividamento e inadimplência do consumidor. Das informações coletadas são apurados importantes indicadores: nível de endividamento, percentual de inadimplentes, intenção de pagar dívidas em atraso e nível de comprometimento da renda. Tais indicadores são observados considerando-se três faixas de rendas, duas faixas de idade, distinguindo-se entre homens e mulheres. A pesquisa permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos.